Jornal Entre-Bairros

Espaço de interlocução entre pessoas, instituições e comunidades, objetivando maior interação com leitores/as. Contate: jeb.poa@gmail.com.

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9º Fórum Social Mundial (Edições 23/abril e 24/maio de 2009): Entrevista com Leonardo Boff Autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística, tra...

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Íntegra da Edição 23 - Abril de 2009

Edição 23 - Jornal Entre-Bairros - Abril de 2009 CAPA Homens também querem direitos Em muitas famílias já é comum pais e mães se ocuparem igualmente do cuidado das crianças, desde recém nascidas ...

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José Carlos Sturza de Moraes

Pesquisa Violências nas Escolas | 2007 (Integra em pdf)

"Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas não se dizem violentas as margens que o oprimem". Bertold Brecht, dramaturgo e poeta alemão. INTRODUÇÃO_____ Já nos encaminhamos para o final da p...

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ARTIGOS publicados em 2009

Todos os meses serão anexados aqui os artigos, escritos em nome próprio e publicados no jornal Entre-Bairros. JEB -21/Janeiro/Fevereiro de 2009: Deficiência Mental e a inclusão da socied...

Iniciado por Jornal Entre-Bairros em ARTIGOS PÚBLICADOS NO JEB 12 Mar.

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JEB 22 - Íntegra dos textos/matérias

IMPORTANTE: Por problemas de espaço, os artigos desta edição estão no tópico ARTIGOS DO JORNAL ENTRE-BAIRROS. [C O N F I R A] Editorial: Comunidades sitiadas. Até quando? Março iniciou com denúnc...

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ANO III | Capa JEB 27 - AGOSTO 2009


Escolas entre agressões e desencontros

Por José Carlos Sturza de Moraes

Não é de hoje que ouvimos, lemos e assistimos notícias sobre violências nas escolas. Sobre professores ou professoras agredidos/as por alunos/as ou por pais/responsáveis por alunos/as. Menos comum, mas também existentes, são os relatos de crianças e adolescentes agredidos por professores/as ou outros servidores dentro de escolas. E a questão, nos parece, não é saber quem é a maior vítima, mas como enfrentar essa realidade. Às vezes, tais violências ganham adjetivos complicados (aluno-problema, professor/a mal-amado/a, família desestruturada...), não se pensando que tanto estudantes quanto pais e professores são pessoas e que pessoas, algumas vezes, se desorganizam, se estressam e cometem erros, nas escolas como em outros lugares sociais. E que a violência que se manifesta na escola entre estudantes, em ritos de humilhação e outras violências não acontecem somente entre estudantes, como abordam alguns educadores em relação ao bullying, por exemplo.
Existem violências entre professores e professoras, por espaços de poder nas escolas. Assim como existe violência por parte de muitas instituições de ensino que também vitimam tanto professores/as quanto estudantes através da falta de estrutura adequada de trabalho e de atendimento, de sucateamento ou inexistência de setores. Como acontece na maior parte da nossa rede estadual de educação.
Pesquisa, apoiada por este jornal e disponível para quem quiser, revelou em dezembro de 2007 um quadro dramático nas escolas estaduais das regiões norte, nordeste e eixo-baltazar, de Porto Alegre, comparadas com as escolas particulares e municipais dessas mesmas regiões. As diferenças entre as redes de ensino, que reforçam outras violências ou, no mínimo, não ajudam a enfrentá-las adequadamente, vão da falta de orientadores educacionais, supervisores e professores, a não existência de laboratórios de ciência e informática.
Além disso, muitas vezes, parece que alguns estudos teimam em separar o inseparável: a escola da sociedade. E o fazem de forma consciente, afirmando que abordagens que envolvem a sociedade não adiantam, que a questão se resolve com disciplina e respeito (que os alunos não têm porque suas famílias não lhes ensinam ou porque os professores não foram adequadamente preparados para a função). Nesta edição e nas duas próximas, buscaremos chegar mais perto das escolas, mas recusando análises que reduzam a violência ao espaço interno dos muros e cercas. É notório que racismo, homofobia, discriminações de classe e religiosas, atravessam toda a sociedade e que estão presentes, de um modo ou outro, em todos nós. E, no que diz respeito às escolas, evidentemente, precisam de uma abordagem particular, porém embasada no que a sociedade mais ampla vem discutindo.
E, por outro lado, professores e professoras, assim como pais e outros responsáveis por estudantes, precisariam, nos parece, se colocar como coresponsáveis pela escola, assim como pela inclusão – de acordo com as possibilidades de cada idade – de estudantes num processo de diálogos não-violentos nas escolas. Processos que podem começar pelo não gritar em sala de aula, destacado pela estudante Daniela Moreira Olmedo, então com 10 anos, da Escola Municipal Chico Mendes, que nos disse que "a escola é muito legal porque tem muito a ver com o jeito dos professores. Eles não ficam gritando toda hora. Têm paciência" (JEB, maio de 2008).
Noutro aspecto, parece-nos que os benefícios salariais de Difícil Acesso, que complementam os baixos salários dos professores estaduais, para compensar seus deslocamentos a locais distantes e inseguros não são acompanhados por medidas adicionais de qualificação para que professores/as saibam como inserir-se em realidades – às vezes – diferentes da sua.
E, especialmente em se tratando de escolas públicas de periferia, lembramos que alunos, assim como os demais membros de suas famílias, vivem nessas realidades adversas 24 horas por dia e que sua situação de vida é resultado de processos sociais que a escola pode ajudar a compreender como historicamente construídos ou a naturalizar como resultados de méritos e deméritos individuais. Em outras palavras, a escola pode ser agente de questionamento e mudança ou de uma neutralidade que mantém status, culpas e violências como ‘obra e graça do destino’ ou fruto de escolhas individuais.
Finalizando esse início de diálogo, aberto a pais, estudantes, professores/as e outros profissionais que se vejam implicados com o tema, destacamos, no entanto, que ‘a escola’ pode ser apenas um prédio, um nome, ou pode ser expressão de algum coletivo, mas que seria muito bem vinda a ideia de escola enquanto expressão de muitos coletivos, representativa mesmo de seus professores, pais e estudantes, em diálogo com suas comunidades.

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Seminário Estadual Violências Sociais e a Escola

As violências são cotidianas, mas têm raízes diferenciadas e, cada vez mais, se expressam em todos os espaços, inclusive nas escolas, que reproduzem muitas violências sociais em seu interior e também produzem violências específicas.
Para discutir esse tema, nos dias 5 e 6 de outubro, na Assembleia Legislativa, será realizado o Seminário Estadual de Interlocução: Violências Sociais e seus reflexos na Escola, promovido e organizado pelo Instituto Humanidades, Comissão de Educação da Câmara Federal e Comissão de Educação da Assembléia Legislativa.
No evento, especialistas, educadores, pais e estudantes, terão uma oportunidade importante de trocar experiências a favor de ambientes escolares mais possibilitadores de relações sociais menos violentas.
Temário: As violências sociais contemporâneas e a escola, Educação e Direitos Humanos, um desafio para a escola; A escola na rede, um desafio frente às violências; Algumas experiências em rede de enfrentamento às violências nas escolas e Painéis livres de socialização de experiências.
A ênfase reflexiva será trabalhada conjuntamente com a socialização crítica de experiências em andamento de enfrentamento às violências nos contextos
escolares, a partir da apresentação e discussão de suas concepções, metodologias, impasses e desafios.
Informações, e inscrições gratuitas, através do endereço i.humanidades@
gmail.com e www.humanidades2007.
ning.com, pelo fone/fax (051) 3226.3313 e (051) 8138.5773.
 

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